quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Passos


Primeiros Passos
(J. Cruz)


Quando o jacto
do esperma marca o ponto...
Quando o óvulo
Se abre para a vida.
Quando o impacto
Da rima constroi o santo...
Quando chora
A semente bipartida.

Quando a lua aparece
Lá na serra...
Quando as cores
Do ipê tinjem a terra.
Quando a cigarra
Entoa a sua cancioneta...
Quando o casulo
Partindo explode em borboleta.

Singela ação...
Que às vezes nem...
Pega o compasso.
Forma o embrião
E torna-se em...
Primeiros passos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Amanhecer...


Ensolear
(J. Cruz)



Alvorada ainda...
Ele se levanta.
Quase sempre faz
Um espetáculo...
Que merda!
Mais da metade
Da platéia,
Ainda dorme.

Incansável ele começa
A labuta de mais uma dia...
Criar milhões de vidas.
Aquecer corpos e
Mais corpos,
Ensolarar.

No crepúsculo...
Quando mais
Da metade da população...
Se diverte.
Ele parte cabisbaixo...
Não antes de montar
Uma nova obra d'arte.

Que pena!
Outro espetáculo
Que passa despercebido
A milhões de espectadores...
Famintos pelo belo.
Estão cançados
Ou se divertindo.

Droga!
Parte sonolento...
Sem aplausos.
Que pena...
Amanhã será um
Novo dia.
Um novo espetáculo.

Um novo grande
Motivo...
Pra se apresentar
No palco da vida.

Cinegrafistas


O Cinegrafista
(José da Cruz)



Amante das imagens
E movimentos...
Trilhas entre trilhos
De som e luz...
Se focas nos teus focos
Os lamentos...
Garantes mais presenças
Sentimentos...
Pois os movimentos
Do teus focos
Nos seduz.

Realizas a mostrar
Histórias mil...
Nas telonas...
Em qualquer mídia
És incansável...
Buscando entre
As formas...
O foco e a cor
Os risos, as gargalhadas
O pão e a dor.
Os brilhos que
Conquistam corações.

E assim é que os teus contos...
Nos encantam
Em todo canto.
E garantem aos cines...
As cifras dos milhões.
E à história
A sua história
Se resume.
Em movimentos.
Cores, brilhos...
Cor - ações.

Este personal lente
De repente...
Traz a lume.
O brilho x
De um novo evento...
Movimento...
Sofrimento.
Sentimentos e emoções.

Aquele abraço...


Abraços Verdes
(J. Cruz)

Abraço verde...
De esperança.
Que tudo termine...
Como no projeto.


Abraço de afeto...
Ternura, bonança.
Que à vida ilumine...
Que a todos redime...
Rumo à salvação.


Abraço apertado...
Mostra de amizade.
Amor de verdade...
Ou de amigos leais.


Abraços tão fortes.
Afagos reais...
Que nem mesmo a morte...
Apaga, jamais.

Neblinas...


Quantas neblinas!
(José da Cruz)



Quanta neblina Senhor!
Embaçando as vistas...

Conquistas e pistas.
Colorindo o tempo...
Esfriando a alma.


Há neblinas...
No tempo,
No espaço.
Nos compassos...
Nos sertões.
E nos corações.


Quanta neblina, Senhor!
Distorcendo as vistas...
E as conquistas.
Esfriando as ações...
E as reações.
Atrapalhando o mundo...
E todo mundo.


Quantas neblinas!...
Esfriando a alma,
A calma e a palma.
Congelando o tempo...
E os amores.


Neblinas nas asas...
E nas casas.
Nos pontos mais altos...
E lá embaixo no asfalto.
Nos processos...
E nos Congressos.


Credo, Senhor...
Quanta neblina!
Desculpe-me,
Por mais esta.