(Por José da Cruz)
Ouvi zunir o cupido
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Na hora de levantar...
E caminhei pela vida...
E sobrevoei o mar...
Passeei pela cidade,
E até andei pelo céu.
Sem muita amargura ou pressa
Eu bati as minha asas.
Mas, porém chovia ainda...
Na hora em que me escondi
Por detrás do Equador.
Andei lá pela colina
E fui ver o sol nascer...
Espalhei minhas lamúrias
Correndo pela neblina
Mesmo que sem enxergar.
Gritei com quem era surdo
Cantei num caraoquê,
Nem sequer fui aplaudido
Mas gostei de ver o sol.
Fui musa de poesias
Já tive um blog na net
Empurrei caminhonete
Não comi a Rita Lee...
Nem fiz um corre em seu bairro.
Mas seus netos e tataras...
Vão ouvir falar de mim,
Só tive filhas mulheres.
Vou polenizar o mundo.
Já beijei todas as flores...
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Da beira daquela estrada.
Passei por todas as fases...
Que o rock um dia apontou.
Vomitei num coletivo
Depois de um porre daqueles.
Já fiz manobras no vento
Que nenhuma outra fez.
Eu já voei sem ser pássaro
E vi você me olhar.
Nunca violei um código...
Que não fosse violável.
Nadei no rio das mortes
Com vela acesa na mão.
Já tive um galo pedrês
Que cantava as quatro horas.
E o meu sorriso era lindo...
Quando eu via aquela flor.
Porém, foi tão doloroso
Quando a planta emudeceu.
Amor já possuí muitos...
Alguns até verdadeiros.
E comi todas as fêmeas
Que esperavam ter nenêns.

Fecundei vinte mil óvulos...
Numa golfada de esperma.
E a lua sorriu pra mim
Lá detrás da serra azul.
Já cantei em lá menor...
Mesmo sem ver os teus olhos.
Eu só tinha uma vontade...
Era amar e ser amada.
E cumpri o meu trajeto...
As flores polenizando.
Queria tocar tambores
E ver as folhas dançando
Nas galhas do limoeiro
Se a prima Vera chegasse.
Fui coroinha de igreja
Durante a revolução.
Nunca teve um dia santo
Que eu não chorasse ao meu pai.
Tive uma filha rebelde
Que comeu religião...
Nem fez genunflexão...
Diante do santo altar.
E o meu padrasto morreu
Afogado nos seus anos.
Polenizei minha flores...
Nos meus três dias de vida.
Por mais de novecentas vezes
Eu cheirei o pó das pétalas.
Me intoxiquei com o veneno
Que corre das suas veias...
Boba, chorei minhas lágrimas.
Águas vãs de borboletas...

Pousei no dedo de Deus...
E morri logo depois.
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