quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Revoar e remoer

Polemilização
(Por José da Cruz)





Ouvi zunir o cupido


Na hora de levantar...


E caminhei pela vida...


E sobrevoei o mar...

Passeei pela cidade,

E até andei pelo céu.

Sem muita amargura ou pressa


Eu bati as minha asas.


Mas, porém chovia ainda...

Na hora em que me escondi


Por detrás do Equador.





Andei lá pela colina


E fui ver o sol nascer...


Espalhei minhas lamúrias


Correndo pela neblina


Mesmo que sem enxergar.


Gritei com quem era surdo



Cantei num caraoquê,



Nem sequer fui aplaudido


Mas gostei de ver o sol.







Fui musa de poesias


Já tive um blog na net


Empurrei caminhonete


Não comi a Rita Lee...


Nem fiz um corre em seu bairro.


Mas seus netos e tataras...


Vão ouvir falar de mim,


Só tive filhas mulheres.


Vou polenizar o mundo.







Já beijei todas as flores...



Da beira daquela estrada.


Passei por todas as fases...



Que o rock um dia apontou.


Vomitei num coletivo



Depois de um porre daqueles.



Já fiz manobras no vento


Que nenhuma outra fez.


Eu já voei sem ser pássaro


E vi você me olhar.






Nunca violei um código...


Que não fosse violável.



Nadei no rio das mortes


Com vela acesa na mão.


Já tive um galo pedrês



Que cantava as quatro horas.



E o meu sorriso era lindo...


Quando eu via aquela flor.


Porém, foi tão doloroso


Quando a planta emudeceu.






Amor já possuí muitos...



Alguns até verdadeiros.



E comi todas as fêmeas



Que esperavam ter nenêns.



Fecundei vinte mil óvulos...



Numa golfada de esperma.



E a lua sorriu pra mim


Lá detrás da serra azul.


Já cantei em lá menor...


Mesmo sem ver os teus olhos.







Eu só tinha uma vontade...



Era amar e ser amada.



E cumpri o meu trajeto...



As flores polenizando.



Queria tocar tambores



E ver as folhas dançando



Nas galhas do limoeiro



Se a prima Vera chegasse.






Fui coroinha de igreja



Durante a revolução.



Nunca teve um dia santo


Que eu não chorasse ao meu pai.



Tive uma filha rebelde



Que comeu religião...



Nem fez genunflexão...


Diante do santo altar.



E o meu padrasto morreu



Afogado nos seus anos.







Polenizei minha flores...



Nos meus três dias de vida.



Por mais de novecentas vezes


Eu cheirei o pó das pétalas.



Me intoxiquei com o veneno



Que corre das suas veias...


Boba, chorei minhas lágrimas.



Águas vãs de borboletas...


Pousei no dedo de Deus...



E morri logo depois.

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